Entre a norma e a diferença:
currículo, capacitismo e formação docente em música
Palavras-chave:
Educação musical;Inclusão;Surdez., Educação Musical, Anticapacitismo.Resumo
Este artigo discute a formação docente em música no Brasil a partir da relação entre inclusão, currículo e anticapacitismo. A análise toma como referência os marcos legais da educação inclusiva, o habitus conservatorial, a violência simbólica em Bourdieu, os estudos sobre deficiência e a interseccionalidade. O argumento central é que o direito de acesso ao ensino superior, embora indispensável, não garante, por si só, participação plena nos cursos de licenciatura em música. Persistem barreiras curriculares, pedagógicas e institucionais que, muitas vezes, deslocam para o estudante com deficiência a responsabilidade por dificuldades produzidas pela própria organização universitária. Ao tratar a inclusão como questão curricular e epistemológica, o trabalho defende a necessidade de rever repertórios, métodos, formas de avaliação e condições de acessibilidade. Como parte de uma pesquisa em andamento, o estudo ainda prevê a escuta de professores e estudantes com e sem deficiência, com o objetivo de compreender como a inclusão tem sido vivida e negociada nas licenciaturas em música no Brasil, considerando as dimensões institucional, docente e discente.