PARA MIM AINDA ERA UM TABU
rodas de conversa como espaço de pesquisa e formação em música
Palavras-chave:
Professores de instrumento, Rodas de conversa, Habitus ConservatorialResumo
Este artigo discute trajetos pessoais de formação musical que influenciam a práxis de professores de instrumento, analisando os processos de formação de seus habitus de ensino e suas possíveis reestruturações. Baseando-se na metodologia da História de Vida Musical, a pesquisa utiliza entrevistas narrativas (auto)biográficas e rodas de conversa como instrumentos de coleta de dados. Nesta comunicação, discute-se os depoimentos de cinco professores de instrumento que participaram especificamente das rodas de conversa. O referencial teórico encontra-se na sociologia de Pierre Bourdieu e no conceito de habitus conservatorial, proposto por Pereira (2012). Os resultados mostram que a formação musical, especialmente no bacharelado em música, pode ser permeada por situações de assédio moral e de violência simbólica por parte de professores de instrumento e de disciplinas teóricas. A pesquisa mostra que, mesmo diante do sofrimento que tiveram em suas formações, os participantes persistiram na música e, atualmente, buscam se afastar dos padrões de ensino que marcaram seus bacharelados. Os participantes apresentaram preocupações com os processos avaliativos de seus alunos, questionando o uso de recitais como instrumento avaliativo único. Conclui-se que as rodas de conversa possibilitaram não apenas o compartilhamento de experiências em grupo, mas também um processo de reflexão e formação sobre aspectos negligenciados no campo da música. O pensamento de Bourdieu permitiu compreender como o campo, o habitus e a doxa configuram condições para que diferentes formas de violência sejam naturalizadas, perpetuadas e atualizadas na área de música.