O pensamento polifônico no Choro:
uma escuta etnográfica de professores do 1º Festival de Inverno da Casa do Choro (2018)
Palavras-chave:
Choro, Etnografia, Ensino e aprendizagemResumo
Este artigo, um recorte da tese de doutorado de minha autoria (Rosa, 2020), tem como objetivo investigar, sob uma perspectiva etnográfica, os modos de transmissão musical do choro observados no 1º Festival de Inverno da Casa do Choro (2018) por meio de entrevistas com dois professores fundamentais para a instituição: Luciana Rabello e Maurício Carrilho. A metodologia baseou-se na pesquisa de campo, combinando observação participante com entrevistas semiestruturadas em áudio, buscando um olhar e escuta antropológicos (Arroyo, 2000) e a familiarização com os interlocutores (Nettl, 2005) para captar suas perspectivas. As referências teóricas que embasam a análise incluem a relação entre oralidade e escrita na transmissão musical, conforme discutido por Sandroni (2001) para a música brasileira, assim como o conceito de transmissão musical proposto por Rice (2001) e Queiroz (2010). As falas de professores como a cavaquinista Luciana Rabello e o violonista Maurício Carrilho, assim como de alguns estudantes, revelam que a transmissão do conhecimento no choro se enraíza na experiência prática e na transmissão do legado de mestres ao longo da história. Conclui-se que a etnografia é essencial para transparecer a polissemia da aprendizagem do choro, evidenciando que o "pensamento polifônico" se manifesta na própria práxis, onde a autoridade pedagógica e a eficácia da transmissão se constroem para além de noções convencionais de ensino e aprendizagem.
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Referências
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