Uma etnografia de performances musicais:
a potência da diferença na construção de um coletivo
Palavras-chave:
performance musical, produção de subjetividade, prática músico-pedagógicaResumo
Este texto apresenta um recorte de uma pesquisa de mestrado que realizou uma etnografia entre 2024 e 2025 para investigar, a partir da concepção de música de Christopher Small, as performances musicais das turmas de Grupos Musicais – Percussão do curso de Licenciatura em Música da Universidade do Estado de Santa Catarina. Os registros foram analisados na perspectiva da produção de subjetividades fundamentada em Félix Guattari e Gilles Deleuze. Esta comunicação tem como objetivos: a) discutir o desenvolvimento etnográfico da pesquisa, compreendendo-o como uma postura investigativa; b) identificar como as pessoas discentes das turmas estabeleceram relações durante as performances musicais. Os resultados indicam que a etnografia possibilitou o registro das relações construídas coletivamente durante as performances musicais e que foram estabelecidas na potência da diferença e inventividade.
Downloads
Referências
COUCEIRO, Luiz Alberto Alves; ROSISTOLATO, Rodrigo. Etnografia e tempo nos estudos educacionais. Ilha Revista de Antropologia, Florianópolis, v. 24, n. 2, p. 51–73, 2022. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ilha/article/view/82327. Acesso em: 21 set. 2025.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Mil platôs: capitalismo e esquizofrenia. São Paulo: Editora 34, 1997b. v. 5.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia? 2. ed. Rio de Janeiro: Editora 34, 1997c.
DUSSEL, Enrique. 1492, o encobrimento do outro: a origem do “mito da modernidade”. Petrópolis, RJ: Editora Vozes Ltda, 1993.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. 59. ed. Rio de Janeiro/São Paulo: Paz e Terra, 2019.
FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.
GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: LTC Editora, 1989.
GEERTZ, Clifford. O saber local: novos ensaios em antropologia interpretativa. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997.
GEERTZ, Clifford. Obras e vidas: o antropólogo como autor. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2009.
GOMES, Ana Maria Rabelo; FARIA, Eliene Lopes. Etnografia e aprendizagem na prática: explorando caminhos a partir do futebol no Brasil. Educ@ Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. especial, p. 1213–1228, dez. 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1517-9702201508144867. Acesso em: 21 set. 2025.
GONZALEZ, Lélia. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo brasileiro, Rio de Janeiro, v. 92/93, p. 69–81, 1988.
GROSFOGUEL, Ramón. Racismo/Sexismo epistémico, universidades ocidentalizadas y los cuatro genocídios/epistemicidios del largo siglo XVI. Tabua Rasa, Bogotá, v. 19, p. 31–58, jul./dez. 2013. Disponível em: https://doi.org/10.25058/20112742.153. Acesso em: 21 set. 2025.
GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo. 4. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.
GUATTARI, Félix. Caosmose: um novo paradigma estético. 5. ed. São Paulo: Editora 34, 2008.
MAGNANI, José Guilherme Cantor. A etnografia é um método, não uma mera ferramenta de pesquisa... que se pode usar de qualquer maneira. Revista de Ciência Sociais, Fortaleza, v. 43, n. 2, p. 169–178, jul./dez. 2012. Disponível em: http://periodicos.ufc.br/revcienso/article/view/823. Acesso em: 21 set. 2025.
MAGNANI, José Guilherme Cantor. Etnografia como prática e experiência. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 15, n. 32, p. 129–156, jul./dez. 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-71832009000200006. Acesso em: 21 set. 2025.
MAZINI, Rafael Menotti; MÜLLER, Vânia Beatriz. Produção de subjetividades e os aspectos comunitário e vivencial da música: notas de uma experiência músico-pedagógica. In: MÜLLER, Vânia Beatriz; SCHMIDT, Beatriz Woeltje; VELHO, José Rodrigo Santos (org.). Percussão e educação musical: propostas e apostas emancipatórias. 1. ed. Porto Alegre: Livrologia, 2023. p. 97–115. Disponível em: https://www.livrologia.com.br/anexos/1432/65486/ebook-musicar-2023-pdf. Acesso em: 21 set. 2025.
MOREIRA, Cássio Antônio. Improvisação livre: um estudo etnográfico sobre a música que não se repete. 2019. Dissertação (Mestrado em Música) - Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2019. Disponível em: http://repositorio.unicamp.br/Acervo/Detalhe/1096892. Acesso em: 21 set. 2025.
MÜLLER, Vânia Beatriz; MAZINI, Rafael Menotti. Produção de subjetividades e educação musical: um ensaio para uma pedagogia musical crítica. Revista da Abem, [s. l.], v. 32, n. 1, p. 1–22, 2024. Disponível em: https://revistaabem.abem.mus.br/revistaabem/article/view/1363. Acesso em: 21 set. 2025.
MÜLLER, Vânia Beatriz. “A música é, bem dizê, a vida da gente”: um estudo com crianças e adolescentes em situação de rua. 2000. Dissertação (Mestrado em Música) - Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2000.
OLIVEIRA, Amurabi. Algumas pistas (e armadilhas) na utilização da etnografia na educação. Educação em Foco, [s. l.], v. 16, n. 22, p. 163–183, dez. 2013a. Disponível em: https://revista.uemg.br/index.php/educacaoemfoco/article/view/322. Acesso em: 21 set. 2025.
OLIVEIRA, Amurabi. Etnografia e pesquisa educacional: por uma descrição densa da educação. Educação Unisinos, [s. l.], v. 17, n. 3, p. 271–280, set./dez. 2013b. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2013.173.11. Acesso em: 21 set. 2025.
PEIRANO, Mariza. Etnografia não é método. Horizontes Antropológicos, Porto Alegre, v. 20, n. 42, p. 377–391, dez. 2014. Disponível em: https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015. Acesso em: 21 set. 2025.
QUEIROZ, Luis Ricardo Silva. Até quando Brasil?: perspectivas decoloniais para (re)pensar o ensino superior em música. Proa: Revista de Antropologia e Arte, Campinas, v. 10, n. 1, p. 153–199, jan./jun. 2020. Disponível em: https://doi.org/10.20396/proa.v10i1.17611. Acesso em: 21 set. 2025.
QUEIROZ, Luis Ricardo Silva. Currículos criativos e inovadores em música: proposições decoloniais. In: BEINEKE, Viviane (org.). Educação musical: diálogos insurgentes. São Paulo: Hucitec, 2023. p. 191–241.
QUIJANO, Aníbal. Colonialidad y modernidad/racionalidad. Perú indígena, [s. l.], v. 13, n. 29, p. 11–20, 1992.
SHIFRES, Favio; ROSABAL-COTO, Guillermo. Hacia una educación musical decolonial en y desde Latinoamérica. Revista Internacional de Educación Musical, [s. l.], v. 5, p. 85–91, 2017. Disponível em: https://www.revistaeducacionmusical.org/index.php/rem1/article/view/153. Acesso em: 21 set. 2025.
SMALL, Christopher. El Musicar: un ritual en el espacio social. Revista transcultural de música, [s. l.], 1999. Disponível em: https://www.sibetrans.com/trans/article/252/el-musicar-un-ritual-en-el-espacio-social. Acesso em: 21 set. 2025.
SMALL, Christopher. Música sociedad educación. Madrid: Alianza Música, 2003.
SMALL, Christopher. Musicking: the meanings of performing and listening. Hanover, NH: University Press of New England, 1998.