Habitus Conservatorial e Consciência Docente
A autoanálise na formação crítica em música
Palavras-chave:
Habitus conservatorial, Autoanálise, Formação DocenteResumo
Este artigo apresenta os primeiros resultados de uma pesquisa de Iniciação Científica em andamento financiada pelo CNPq (PIBIC), cujo objetivo principal é analisar como o conceito de musicalização tem sido trabalhado durante o processo de formação de professores de música e de que maneira o habitus conservatorial (Pereira, 2012) pode influenciar, interferir ou conflitar em uma prática docente baseada nas pedagogias musicais contemporâneas. A pesquisa adota a metodologia de estudo de caso, com abordagem qualitativa e uso de dados quantitativos, tendo como foco um curso de licenciatura em música. Nesse recorte abordaremos questões relacionadas à permanência de disposições conservatoriais, mesmo em contextos que visam superá-las, diferentes níveis de consciência sobre o habitus e a manifestação dessas disposições em diferentes contextos formativos. As conclusões apontam para o fato de que a formação de professores de música demanda um trabalho contínuo de autoanálise e autocrítica, capaz de tensionar as heranças conservatoriais e favorecer a construção de uma prática pedagógica mais consciente, crítica e alinhada às perspectivas contemporâneas de ensino musical.
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