Vozes dedilhadas por Rachel Tostes
violão, docência e maternidade
Palavras-chave:
mulheres-violonistas, universidade, maternidadeResumo
A presente comunicação integra uma tese de doutorado que teve por objetivo investigar, por meio de narrativas provenientes de entrevistas de história oral, as trajetórias de formação e profissionalização de docentes violonistas, atualmente aposentadas, que atuaram em cursos de música em universidades federais brasileiras entre 1976 e 2023. A escrita da história das mulheres a partir de fontes informadas por elas mesmas, ou seja, a partir das próprias narrativas orais busca contribuir para ampliação de outras histórias ainda invisibilizadas. Para este artigo foram selecionadas as narrativas de vida da violonista mineira, Rachel Tostes, professora de violão pioneira da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atualmente aposentada, mestre em Música em Performance pela Manhattan School of Music (1989). O recorte do trabalho tem como foco a maternidade e a desafiante tarefa em conciliar a vida profissional artística como violonista e docente universitária com a vida pessoal. A pesquisa tem como base a historiografia feminista, e reflete a importância política da escrita da(s) história(s) das mulheres por Joan Scott (1990), Michelle Perrot (1995), Maria Izilda Matos (2013), Rachel Soihet (1997), a partir de fontes informadas por elas mesmas. As estratégias de mulheres violonistas, como Rachel Tostes, que também são mães/avós, professoras, acadêmicas, musicistas profissionais precisam ganhar visibilidade e importância historiográfica, pois as trajetórias femininas hegemônicas na historiografia priorizam narrativas que destacam a exclusão de mulheres musicistas da possibilidade de atuação profissional após o casamento e a maternidade.
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